Software Pirata: O barato sai caro

Uma pesquisa feita em outubro deste ano pela Prince & Cooke mostra que os custos do uso de umsoftware ilegal podem ultrapassar a diferença de preços entre uma cópia pirata e um produto original. A P&C ouviu 3.650 pequenas e médias empresas em 12 países latino-americanos e 68,6% disseram ter sofrido ataques de vírus, falhas operacionais ou problemas nos últimos 12 meses. Para 14,4%, as falhas foram graves o suficiente para suspender as atividades.

Outras 13,6% informaram que os danos afetaram informações sensíveis ao negócio ou de valor. Os prejuízos relacionados a falhas ou ataques de vírus na região estão relacionados, principalmente, ao uso de softwares ilegais. Sem saber ou atraídas apenas pelo custo momentaneamente mais baixo, empresas e consumidores instalam em seus equipamentos programas que podem causar perda de dados ou prejuízos bem maiores, como o roubo de senhas de cartões ou dados cadastrais de clientes.

As micro e pequenas empresas ouvidas na pesquisa relataram principalmente ataques de vírus (60,7%) e perda de informações por falha no sistema (53,6%). Esta percepção de que o barato pode custar bem mais caro do que se imagina também começa a despertar o consumidor para os riscos dos programas e games falsificados – sejam comprados em ambulantes e shoppings populares ou baixados diretamente no computador.

Os empreendedores, tão preocupados em fazer crescer seu negócio, não atentam para os riscos e os custos envolvidos no uso de programas ilegais. Um estudo global encomendado pela Microsoft ao Instituto TNS mostra que um em cada dois consumidores já associa a perda de dados e ataque de vírus ao uso de softwares ilegais e se preocupa com isso. A pesquisa, que ouviu 38 mil pessoas em 20 países, mostrou que 70% acreditam que os softwares originais são mais seguros, mais estáveis e fáceis de fazer atualizações. A maioria (75%) dos entrevistados afirma que os consumidores precisam encontrar caminhos para se proteger dos programas piratas e esperam que os governos e as fabricantes busquem mais proteção aos produtos.

No Brasil, 44% dos consumidores disseram que se preocupam com a perda ou com o roubo de dados e a maioria das pessoas ouvidas (84%) afirmou que se alguém pedir sua opinião sobre a possibilidade de comprar software falsificado ou original dirá que compre o produto genuíno, mesmo que isso custe mais.

Embora a conscientização sobre os riscos de uso de software falsificado tenha aumentado, ainda é difícil para o usuário mensurar as perdas que ele proporciona. Nos 12 países em que micro e pequenas empresas foram ouvidas, apenas 15% souberam identificar o valor das perdas. Na América Latina, embora não consiga quantificar o valor, 39% delas acreditam que o prejuízo está entre “médio e alto”.

Para ter uma ideia, o estudo da Prince & Cooke estima em mais de 200 dólares por mês os gastos das micro e pequenas empresas com manutenção de seus sistemas, quantia que pode exceder o custo de uso de um software legal e com garantia do fabricante. O preço aparentemente baixo de um software pirata mascara os preços altos dos serviços para limpar e reformatar sistemas infectados.

Outro estudo, da Symantec Corporation, com 2.152 entrevistados em 28 países, mostra que o ciberataque é uma grande ameaça às micro e pequenas empresas e que tem crescido a preocupação do segmento com a segurança de seus sistemas de Tecnologia da Informação (TI).

De acordo com a Prince & Coube, na América Latina 75% das vendas de PCs vão para residências ou pequenas empresas e metade deles corresponde a vendas de equipamentos sem marca, criando um desafio adicional à indústria de software.

Uma das conclusões do estudo é que quanto menor a empresa, maior a proporção da taxa de  pirataria. Os empreendedores, tão preocupados em fazer crescer seu negócio, não atentam para os riscos e os custos envolvidos no uso de programas ilegais.

No Brasil, 53% das micro e pequenas empresas participantes da pesquisa relataram ter tido gastos inesperados para reparação de softwares e 54,8% disseram que as falhas registradas em seus sistemas geraram perda de produtividade.

De acordo com o estudo, ao mesmo tempo que subestimam riscos e perdas com programas falsificados, as micro e pequenas empresas tendem a superestimar o investimento em sistemas originais, seja por desconhecimento ou simplesmente por não consultar os canais de venda apropriados.

A P&C afirma que com o custo de apenas um mês de manutenção de computadores ou softwares, uma pequena empresa pode adquirir quatro licenças de sistemas operacionais, por exemplo. É preciso também diluir o investimento inicial pelo tempo de uso. Um sistema operacional com vida útil superior a três anos pode ter seu custo real inferior a 13 dólares por ano.

A tendência é que pequenos empresários e consumidores pensem que as perdas causadas por softwares ilegais são ocasionais, o contrário do que mostram as pesquisas.

Matéria publicada na edição 17 da Revista ETCO

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