IPv6: empresas não devem deixar migração para depois

Alerta é dos gestores das tabelas IP’s, que recomendam: estudos e testes de laboratório podem começar desde já.

Os gestores das tabelas de endereços IPV4 em todo o mundo têm uma mensagem para as empresas que ainda relutam em migrar suas redes para IPv6: você faria melhor se não deixasse para a última hora. Esperar até o último minuto vai acarretar investimentos urgentes em atualização de equipamentos e transformar o que poderia ser um incremento na funcionalidade dos negócios em um pesadelo da modernidade.

Agora que os últimos lotes de endereços IPv4 forem designados, os operadores de redes globais devem acelerar a migração para o modelo IPv6, que dispõe de um volume de endereçamentos muito mais amplo que seu antecessor.

Mas, entre os usuário, muitos gestores de TI não enxergam a lógica de investir tempo e dinheiro no desenvolvimento de IPv6 o quanto antes. Jason Schiller, engenheiro sênior de redes internet, diz que parte do desafio para CTOs e departamentos de TI consiste em entender que a atualização para IPv6 não tem necessariamente que ser um processo caro e que colocará abaixo toda sua infraestrutura atual.

Na realidade, poderá ser preciso substituir alguns itens de hardware, mas é possível também usar atualizações de software para resolver as necessidades em IPv6, especialmente se for o caso de uma empresa menor que não lida com grandes quantidades de tráfego de rede.

“Redes menores, que têm menos tráfego, podem ser atualizadas por software”, diz Schiller. “Contudo, não estou dizendo que vai ser barato. Em alguns casos, o contrato de software pode ser caro e algumas vezes você terá de atualizar também seu motor de roteamento. E, para algumas redes, você terá de passar por alguns testes importantes de IPv6 em laboratório para se certificar de que tudo funcionará conforme o necessário.”

Assim que o IPv6 começar a funcionar, mesmo as pequenas empresas terão que estar prontas em termos de software e equipamento. E estar pronto é tarefa a ser levada a sério. Vai garantir que tarefas essenciais atreladas ao funcionamento da web não sofram o risco de lentidão e paradas repentinas. Esse trabalho também dará oportunidade, às companhias, de negociar a compra de soluções agora, de maneira planejada e com margem para preços melhores; melhor que ter de comprar “já, pelo amor de Deus, não importa o preço”.

Primeiros passos

Faça uma lista de todos os componentes atuais da rede e verifique a habilidade de eles interagirem com o IPv6. Fique atento. Existe fabricante por aí anunciando equipamento com possibilidade de suporte a processos ligados ao IPv6; dê preferência a hardware com suporte nativo.

No movimento migratório para o modelo IPv6, fique atento ao provedor de acessos, à estrutura da rede, ao servidor e às estações de trabalho. A maior parte do trabalho pesado ficará a cargo dos provedores. Assim que este estiver pronto para o admirável mundo novo, as estações de trabalho e o servidor irão embarcar de pronto na onda.

Além dos provedores de acesso, os maiores provedores de conteúdo da internet – incluindo Google, Yahoo, Netflix e Microsoft – conduzem negociações preliminares para a criação de uma lista compartilhada de usuários capazes de acessar seus sites via IPv6. Uma “DNS Whitelist for IPv6” (“lista branca de DNS para IPv6”) seria uma lista de endereços IP que já contam com conectividade IPv6. Os provedores poderiam usar essa lista para servir conteúdo aos endereços IP nela incluídos já via IPv6, em vez de IPv4, atual versão atual do protocolo da internet. Visitantes não listados na DNS Whitelist receberiam conteúdo em IPv4.

Sistemas operacionais como Windows, Linux e Mac OS também já estão prontos para trabalhar em redes IPv6. O Windows 7, por exemplo, já inclui as configurações dessa modalidade de IP nas interfaces de rede. As questões mais críticas estão localizadas em nível de infraestrutura de rede.

 

Roteadores, switches, dispositivos de segurança, impressoras e aparelhos de fax com menos de dois anos de idade provavelmente estão prontos para decifrar o IPv6.

Se o equipamento tiver entre dois e cinco anos, talvez possa oferecer suporte ao novo esquema. Com hardware de cinco anos ou mais velho, a aderência ao IPv6 será bastante incerta, e a migração será uma boa razão para trocar de equipamento.

Infelizmente, não existe um programa de certificação de hardware com adesivos do tipo “Pronto para o IPv6”, o que demanda que se investigue, na documentação do fabricante, se o hardware em questão “gosta” ou não de endereços IP com 128 bits. Realizar um levantamento de atualizações de hardware ou de firmware é a sugestão do dia.

Se a infraestrutura ainda não estiver redonda para trabalhar com o modelo 6 de IPs, o uso de protocolos de transição é uma saída temporariamente possível. Há várias dessas “muletas” para usar; 6to4, Teredo, 6over4 e ISATAP são só algumas delas. Cada um desses programas “embrulha”, por assim dizer, endereços que vêm em formato IPv6 em pacotes IPv4. Dada a pouca estabilidade e segurança também limitada, essa muleta não deve ser utilizada ad infinitum.

Retaguarda

Outro desafio que as empresas enfrentam em relação ao IPv6 é assegurar que todos seus equipamentos de retaguarda estejam prontos para o protocolo. Se uma empresa utiliza um sistema de rastreio de pedidos IPv4 feito em casa e sob medida, então ela pode ter de reprojetar seu sistema para se certificar de que ele possa enviar e receber tráfego em IPv6. O gerente de produtos da Verizon, William Schmidlapp destaca que, embora isso possa parecer muito doloroso de implantar, não significa que seja preciso refazer completamente sua infraestrutura de rede.

Algumas pessoas podem acreditar que terão de atualizar sua infraestrutura inteira para lidar com o novo protocolo. Mas, na verdade, pode haver certos segmentos em que não seja preciso um sistema IPv6 nativo, e seja possível fazer isso por tunelamento. Nesse processo, uma rede joga tráfego IPv6 dentro do que parece, por fora, tráfego IPv4, para que possa circular em redes IPv4.

Schmidlapp recomenda às empresas que ainda relutam em investir na migração para IPv6 que, pelo menos, mergulhem seus dedos na água para ter uma ideia de quais serão suas necessidades futuras para IPv6. Isso envolve estudar quanto tempo se passará até que sua empresa fique sem endereços IPv4, descobrir que ferramentas de retaguarda precisam ser atualizadas e então testar e certificar o IPv6 em sua rede.

Schiller diz que esse “investimento limitado” vai, no mínimo, oferecer aos departamentos de TI uma experiência valiosa na transição, o que ele diz que virá gradualmente, ao longo de um período de anos em vez de tudo de uma vez.

Mas em algum ponto, observa Schmidlapp, as empresas terão de ir todas para o IPv6 ou se arriscarão a ter suas capacidades de comunicação seriamente limitadas.

Via ComputerWorld

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