Presidente da Foxconn criticou trabalhador brasileiro, segundo jornal

O presidente da Foxconn, Terry Gou, criticou os custos da produção no Brasil durante uma entrevista em setembro, segundo um blog do jornal “The Wall Street Journal”. Em artigo publicado esta quarta-feira com o título “How Much Does Foxconn Like Brazil?” (“Quanto a Foxconn gosta do Brasil? – leia aqui), o jornal afirma que o plano da empresa de investir US$ 12 bilhões no Brasil, anunciado pelo governo brasileiro, sugere que o executivo teve uma mudança radical de posição.

A empresa ganhou notoriedade no Brasil nesta terça-feira (12). Autoridades brasileiras afirmaram ontem que a Foxccon disse à presidente Dilma Rousseff que pretende investir US$ 12 bilhões em até cinco anos no Brasil. O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse que a Foxconn irá produzir iPads no Brasil ainda neste ano.

Segundo o “Wall Street Journal”, em entrevista realizada no ano passado, Gou se mostrava menos encantado com o Brasil. O executivo chegou, de acordo com o “WSJ”, a ridicularizar a capacidade de o Brasil competir com a China em produção industrial.

“O salário dos trabalhadores brasileiros é muito alto. Mas os brasileiros, assim que escutam a palavra ‘futebol’, param de trabalhar. E tem ainda as danças. É uma loucura… Então, o Brasil é bom [como um lugar para fabricar] para o mercado local. O Brasil tem ótimos minerais. E eles têm o grande rio Amazonas, então há boas hidrelétricas. Mas se você quiser enviar produtos aos EUA, leva mais tempo e mais dinheiro enviar do Brasil [do que da China]”, disse Gou, segundo o jornal.

O artigo ressalta, porém, que o Brasil não foi o único país em desenvolvimento cuja mão de obra não conseguia impressionar Gou. O empresário chegou a dizer que ele apostava bilhões de dólares no interior da China como a melhor alternativa aos locais industriais tradicionais do país, como Shenzen.

G1 procurou a Foxconn, mas não conseguiu contato com nenhum porta-voz da empresa.

Nesta quarta-feira (13), a Foxconn China, que produz o iPhone e o iPad para a Apple, divulgou comunicado sobre investimentos do grupo no Brasil, mas não citou o tablet nem detalhou valores ou produtos que serão fabricados no país.

A multinacional, fundada em Taiwan, afirmou que vem estudando “oportunidades de investimento no Brasil”, seguindo a estratégia de “estar onde o mercado está”.

O comunicado não trouxe nenhum detalhe sobre os investimentos anunciados ao governo brasileiro. Informou apenas que o Brasil tem “vasto mercado consumidor”, é “rico em recursos naturais”, tem “tremendo potencial de desenvolvimento econômico” e está “estrategicamente posicionado” para atender às necessidades dos mercados em crescimento de toda América Latina.

Segundo a empresa, no que diz respeito à projetos específicos de investimento, a política da Foxconn é de apenas fazer um anúncio após o recebimento de aprovação do conselho de administração e de todas as autoridades competentes.

No Brasil, a Foxconn já fabrica produtos para Sony, Dell, HP e Sony Ericsson e possui hoje três fábricas: em Manaus (AM), Indaiatuba (SP) e Jundiaí (SP). A expectativa é que a fábrica de tablet utilize parte das estruturas já em funcionamento.

A fábrica da Apple e da Foxconn deverá ser instalada no interior de São Paulo, segundo informou ao G1 o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel.

Confira a íntegra da nota da Foxconn em inglês:

“Being the leader in the global contract manufacturing industry, Foxconn Technology Group’s time-honored business strategy of doing what is best to serve the needs of key markets around the globe has helped us succeed in a very competitive industry environment while also positioning us as the most trusted partner to leading global brands.

Brazil is a country with rich natural resources, a vast consumer market and tremendous economic development potential. It is also strategically positioned to meet the needs of growing markets throughout Latin America.

Guided by a strategy of “being where the market is”, we have long been studying investment opportunities in Brazil. We are currently in the process of exploring opportunities in that important market and conducting a substantive analysis of that country’s overall investment environment. With regard to confirmation of any specific investment projects, Foxconn’s policy is to only make an announcement following the receipt of relevant approvals from our company’s Board of Directors and any relevant authorities.”

Via G1

Uma resposta para Presidente da Foxconn criticou trabalhador brasileiro, segundo jornal

  1. Observação: Esta Foxconn, cujo presidente já chamou os brasileiros de preguiçosos é a mesma Foxconn onde houve vários incidentes de trabalho escravo na China e suicídios de trabalhadores esgotados pela jornada dura de trabalho.

    Ah, então tá…

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