Como anda a sua reputação online?

Sua presença digital não é apenas importante, como pode ajudá-lo a encontrar boas oportunidades de trabalho.

Assim que me graduei, em 2009, ouvia sempre a mesma coisa: tome cuidado com o que publica na internet, pois pode prejudicar sua busca por emprego. Minha resposta vinha em tom muito semelhante: sei o que divulgo e duvido que potenciais empregadores vasculhem minha vida online. Além do mais, não trabalho em nenhuma empresa super conservadora.

Foi quando recebi um e-mail. Era de minha mãe e trazia anexa uma imagem minha, nada comprometedora mas, ainda assim, pouco profissional. Pois bem, se minha mãe, alguém que tem conhecimento técnico limitado à cópia e a colagem de texto, encontrou tal imagem, calcule que tipo de informação alguém descolado encontrará sem muito esforço.

Segundo levantamento realizado recentemente pela Microsoft, 70% de todos os RHs já rejeitaram algum candidato com base nas informações disponíveis online. Por outro lado, 86% dos profissionais de RH disseram que boas referência digitais são – mesmo que de forma limitada – um sinal positivo.

Qualquer pessoa com um mínimo de presença digital, mesmo que limitada a um blog anônimo ou ao envio de mensagens do tipo “corrente”, deve verificar seu status no Google de vez em quando.

Seguem algumas dicas de como fazer tal busca:

1. Use as aspas. Aplicando as aspas, você terá certeza de que apenas citações do nome completo sejam exibidas. Apesar de o Google dar preferência por conteúdo exato relacionado à busca, se parte do nome pertencer a um assunto muito relevante, ele pode dar preferência a essa palavra-chave em detrimento a sua maior ocorrência.

2. Faça buscas por conteúdo específico restrito a determinados sites. Isso pode ser feito no Google da seguinte maneira: site:idgnow.com.br nome desejado, por exemplo, para confirmar que Renato Rodrigues, editor do IDGNow trabalha de fato na empresa, pode ser feita a seguinte busca no Google: site:idgnow.uol.com.br renato rodrigues.

3. Use palavras-chave. Possivelmente, os recrutadores busquem por seu nome relacionado a alguma área de atuação ou outra informação relevante. É bastante provável que sejam feitas buscas envolvendo o meu nome e alguma característica. Para se prevenir contra resultados indesejados, é importante fazer uma busca por seu nome mais outros termos menos interessantes, como “foi preso(a)”, “Bêbado(a)” e por aí vai.

Essa também é uma boa maneira de descobrir se você é homônimo(a) de algum malfeitor.

4. O Google é ótimo na hora de averiguar sua presença digital, mas existem outros mecanismos de busca para essa tarefa. Entre esses sites, podemos destacar o Spokeo, o Pipl e o ZabaSearch. Como esses sites apanham da web o que encontram pela frente, eles não mantém nenhuma base de dados sobre as pessoas. Ainda assim, são uma boa fonte de referências. Infelizmente, a maioria deles não é funcional no Brasil. Mas pode ajudar muito se o cargo pretendido for nos Estados Unidos.

5. Verifique o status de seus perfis virtuais. Mesmo que não acredite que sejam exibidos na web, vale a pena. Entre esse perfis, sugerimos verificar o de sua conta no eBay e em fóruns de discussão na web, em que você deixa comentários com alguma regularidade.

Por último, se não for selecionado(a) para uma vaga, sempre pergunte ao recrutador qual foi o motivo. Se ele(a) afirmar que foi devido a alguma mancha em seu CV, poderá ser fácil para você descobrir onde está essa sujeira digital e corrigi-la antes da próxima decepção.

É certo que apenas recrutadores com muita experiência poderão encontrar informações antigas a seu respeito na web, mas isso pode acontecer. Ainda assim, se houver alguma mancha em seu passado que possa ser encontrada na web, é melhor esclarecer a situação ao empregador antes que ele a encontre – é sempre positivo apresentar-se como alguém honesto. Mesmo que a mensagem não seja das melhores, é possível lustrá-la com honestidade.

Redes sociais merecem atenção especial

Algumas empresas da Internet travam uma intensa luta contra o anonimato dos usuários, e, acredite, elas sabem muito sobre você. O Facebook e o Gmail, por exemplo, requerem seu telefone para verificar a criação de novos perfis.

Também há muitos sites que permitem aos usuários usar as credenciais de seus perfis em redes e mídias sócias para partilhar conteúdo da web. Os botões de curtir ou de tuitar são bons exemplos disso. Se é ou não uma excelente forma de as empresas produtoras de conteúdo ganharem audiência qualificada, por outro lado, põe em xeque a privacidade do usuário de web menos experiente.

Por isso, apesar de parecer óbvio, é muito importante ficar atento ao que você posta nas redes sociais. Vale a pena verificar com calma o tipo de serviço usado para realizar o login no Facebook e em outras redes sociais a partir de sites.

Evite o uso de “single sign-in” ou de logins únicos para as contas do Twitter e da rede social ou conta de email. É importante atentar para isso, por causa de futuros empregadores que podem não ovacionar sua presença em determinados círculos de relacionamento digital.

Outra alternativa é a manutenção de várias contas de email distintas, cada uma com um propósito. Uma dessas contas, pode ser usada apenas para receber informações de seu login em perfis de redes sociais. Não é interessante usar seu email profissional para esse tipo de ação. Costumo usar uma dessas contas de email apenas para realizar o login em sites que, bem sei, irão tentar me enviar mensagens pouco interessantes, e até mesmo spam.

Perfis separados e privacidade

É possível manter várias contas no Facebook, uma particular e outra pública (é necessário registrar um email para cada uma delas). Também existem redes sociais de cunho predominantemente profissional, como o LinkedIn, um dos locais mais apropriados para o usuário manter sua lista de contatos profissionais.

Caso se decida pela criação de vários perfis em redes sociais, evite associar amigos à conta profissional. Por quê? Porque basta um desses amigos estar ligado a outros colegas de profissão para toda a blindagem da rede profissional ir por água abaixo.

É absolutamente crucial verificar como andam as configurações de privacidade nas redes que freqüenta. No Facebook é possível determinar que tipo de contatos podem visualizar as imagens que você postou na rede – não precisam ser acessíveis a todos os seus contatos. O mesmo tipo de configuração de privacidade existe no Twitter, em que você pode definir que apenas seus seguidores tenham acesso aos seus tuites.

Precisão nas informações é tudo. De nada vale apresentar-se como graduado por uma Universidade no LinkedIn e por outra no Facebook. Se optou por mentir, seja, ao menos, consistente.

Use as redes sociais a seu favor

Sua presença nas redes sociais não deve ser tratada como doença contagiosa ou algum defeito. Por vezes, as organizações prezam profissionais íntimos com novas tecnologias e inseridos em ambientes digitais. Paul Garaud, ex-consultor do grupo novaiorquino GMAT, diz que candidatos com alto número de amigos no Facebook são ideais para determinado tipo de atribuição profissional.

“O número de contatos nessas redes sociais, parece ser diretamente proporcional à sua capacidade de organizar eventos estudantis, por exemplo”, responde Garaud, por email. “Todavia”, completa, “essa é uma avaliação secundária, usada como critério de desempate”.

O primeiro passo para usufruir de resultados positivos nas redes sociais é remover tudo que for desinteressante ou negativo. Depois de verificar como anda a sua moral nos sites de busca como o Google, não perca tempo em remover algo que possa denegrir sua imagem. Para tal, pode ser necessário contratar o administrador do site e solicitar a remoção. Existem medidas mais drásticas, como requerer do próprio mecanismo de busca que exclua as páginas com menções negativas sobre você do índice – leva tempo, mas é possível, experimente enviar um email com a solicitação pararemovals@google.com.

Caso seu nome seja muito comum, pode ser interessante adicionar um termo para se diferenciar dos homônimos. Afinal de contas, um perfil de rede social só será interessante se for possível encontrar a pessoa certa.

Use os canais das redes sociais para disseminar conteúdo voltado ao segmento em que procura atuar. Nessa hora, você começa a se tornar alguém relevante para a indústria prospectada, pois estará partilhando informações importantes sobre uma área específica.

É importante que você comece a alimentar algum relacionamento saudável e respeitoso com a empresa que objetiva. Digamos que queira trabalhar na Oracle. Em vez de ficar sentado, a espera de um telefonema do CEO da empresa, parta para o ataque. Acompanhe sua presença no LinkedIn, a da empresa no Twitter e Facebook, etc. Tal comportamento será um sinal claro de seu interesse pela empresa, e demonstra claramente sua intenção de estar informado acerca de suas atividades.

Quando se está desempregado, a partilha de informações na web se torna ainda mais importante. Ao se manter ativo na rede, mesmo nessa circunstância nada agradável, o candidato exibe estamina, ingrediente essencial em toda pessoa com força de vontade. Como todo o seu comportamento nas redes sociais fica registrado em um histórico, pode ser usado para chancelar sua atividade no segmento, mesmo quando não haja contrapartida direta – o nome disso é caráter.

Sua presença nas redes digitais tem vários aspectos positivos. Denota uma pessoa conectada, com experiência em tecnologia e consciente do que deve e não ser partilhado na internet.

Mesmo bem empregado, jamais abandone o segmento de relacionamento digital ou deixe o compartilhamento de conteúdo relevante aguardando atualizações. Isso não significa que informar seus seguidores sobre assuntos banais como o seu almoço ou, delicados, como problemas de trabalho. Lembre-se: você está inserido em uma corporação. Se não foi fácil entrar, saiba que a porta de saída está escancarada para aqueles que abusarem de seu direito à livre expressão no Twitter, no Facebook etc.

Via IDGNow

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