Cloud computing é revolução?

CEO da HyperStratus avalia o desempenho dos dois modelos de computação em nuvem e o quanto acrescentam de inovação para a área de TI.

Quem acompanhou meus artigos ao longo dos dois últimos anos sabe que sou defensor das teorias de Clayton Christensen, autor da obra “The Innovation´s Dilemma”. O livro de Christensen foi mencionado recentemente em reportagens sobre seu crítico estado de saúde e a péssima experiência que teve com o sistema de saúde público dos EUA e as sugestões que o autor publicou sobre como arrumar a casa.

Dois tipos de inovação

No referido livro, Christensen descreve dois tipos de inovação diferentes: aquela baseada em tecnologias existentes e que expande a capacidade de soluções conhecidas,  como a indústria automobilística que alterou o método de trabalho, passando da composição de carrocerias em partes para o modelo atual de carrocerias de peça única; e as inovações de cunho revolucionário, aquelas que são divisores de água., que costumam modificar, inclusive, o mercado, introduzindo preços muito mais atraentes.

Como revolucionárias, Christensen cita várias tecnologias. Entre elas, a que possibilitou a criação dos rádios munidos de transistores, alterando o mercado dos rádios  mais antigos, que usavam válvulas. Na perspectiva de Clayton, a chegada de tecnologias desse tipo costuma ser mal recebida por consumidores, pois os força a adotar soluções desconhecidas em detrimento de funcionalidades e recursos aos quais eram íntimos.

Em conseqüência disso, as inovações revolucionárias são (no início) restritas a consumidores saturados pelo uso da tecnologia mais antiga e dispostos a adotar essa nova tecnologia de custo  superior e , não raro,  desempenho inferior. Um paralelo: quando foram lançados, os rádios de transistores foram adotados por jovens que queriam ouvir Rock’n’roll sem, necessariamente fazê-lo na sala de estar.

A consequência dessas inovações bastante complexas é que, com o passar do tempo, elas ficam mais robustas, mais eficientes e acabam ultrapassar o desempenho de seus antecessores. Nessa hora, elas conquistam o mercado e condenam as soluções anteriores ao ostracismo.

Que tipo de tecnologia é a computação em nuvem?

À primeira vista, a computação em nuvem parece ser do primeiro tipo. Afinal de contas, é baseada nos princípios da virtualização, tecnologia amplamente usada em data centers. Sobre esse alicerce, a computação em nuvem adicionou elementos de automação, de auto-atendimento e de elasticidade. É bastante possível que, nesse exato momento, algum departamento de TI esteja promovendo a computação em nuvem com base em argumentos como ser uma tecnologia preexistente e, portanto, de eficiência comprovada.

Por outro lado, o primeiro fornecedor de serviços de expressão a oferecer tal plataforma foi a Amazon com os serviços Amazon Web Services. A entrada de um player de grande porte nesse segmento – um que sequer era conhecido por ser um fornecedor desse tipo de solução – foi o indicativo de que o mercado precisava mudar o paradigma e começava ver a computação em nuvem como inovação do tipo revolucionária.

Além disso, o modelo de negócios da Amazon (sob demanda) e a prática de custos baixíssimos catapultou a empresa à liderança de um clube que ganha cada vez mais associados.

A semelhança entre os Web Services Amazon e a história das tecnologias inovadoras de cunho revolucionário está no fato de a nuvem da Amazon ser considerada, por muitas empresas, de baixa segurança  e pouca confiabilidade, além de outros “defeitos”. Mesmo assim a adoção cresce em ritmo acelerado.

Opinião

Pessoalmente, acredito que a computação em nuvem seja do tipo inovação revolucionária. Mas somente sob o ponto de vista dos usuários, e não dos provedores da tecnologia. Empresas que administrem data centers e estejam planejando implementar nuvens privadas não tardarão a perceber que a oferta de serviços automatizados e de gestão interna não basta. As nuvens privadas precisam, primeiro, alcançar os modelos de nuvem pública em termos de escalabilidade e de custo.

Há não muito tempo, partilhei minhas perspectivas sobre o quesito segurança em nuvens públicas. A preocupação dos clientes desse tipo de nuvem, diz um analista de uma grande empresa, enfraquece de forma importante depois que esse modelo de computação chega ao segundo ano de adoção. “Quando chega nesse ponto”, diz o analista, “a gestão da empresa passa a migrar para as nuvens públicas por se sentir mais confortável com o modelo e com o desempenho da solução”.

Quando penso nessa questão, percebo que os fatores usados para avaliar o desempenho das nuvens privadas não serão velocidade e preço, e, sim a funcionalidade das nuvens públicas e seus serviços ágeis, de baixo custo e de infraestrutura altamente escalável, oferecidos por enormes conjuntos de servidores usando hardware comum.

O desafio que se coloca ante às nuvens privadas é a transformação de suas atuais práticas, processos e custos associados, na tentativa de se equipararem às nuvens públicas.

Via Bernard Golden – CIO?EUA
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