Redes Sociais trazem a tona uma nova profissão no mercado de trabalho

Mais um admirável mundo novo se abre graças à internet, ou melhor, à web 2.0. Nesse caso, o do mercado de trabalho. As mídias sociais – sistemas online projetados para promover a interação a partir de compartilhamento e criação de informação – vêm criando oportunidades que, até pouco tempo atrás, não existiam. Relações públicas, publicitários, jornalistas, sociólogos e designers são alguns dos profissionais atraídos para essa área em constante mudança.

Daniel Teixeira/ AE
Daniel Teixeira/ AE
Um dos atrativos desse mercado é que ele dispensa formação específica

Um dos atrativos desse mercado é que ele dispensa, ao menos em boa parte dos casos, que o interessado a uma vaga tenha uma formação específica, especialmente quando se trata de planejamento e execução dentro das redes sociais, como Facebook, Orkut, Twitter, YouTube e MySpace, entre outros.

“O profissional web 2.0 pode trabalhar com gestão de conteúdo, análise da percepção e imagem de empresas nas mídias sociais e planejamento de projetos de comunicação”, explica a diretora de mídias sociais da Agência Ideal, Carolina Terra, referindo-se ao chamado analista de mídias sociais. Ela fez doutorado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) sobre o impacto do setor na comunicação das empresas.

“Surgiu um novo mercado de trabalho com o aparecimento das mídias sociais e o interesse por parte das empresas em se inserir dentro delas”, acrescenta Carolina. “O profissional, por sua vez, precisa ser muito dinâmico, é uma área que muda rapidamente. Precisa fazer um esforço constante para se reciclar, pesquisar novas ferramentas e estar antenado com as tendências que surgem todos os dias.”

Segundo Carolina, as empresas descobriram que a internet é um ambiente rico para estudar a percepção do público em relação às empresas. “Nas páginas do Facebook, Orkut, Twitter e outros sites as pessoas discutem um produto com críticas e reclamações, sugestões ou elogios”, diz a diretora da Ideal.

A jornalista Priscila Cotta, de 32 anos, é o típico exemplo de profissional web 2.0, em que a curiosidade sobre mídias sociais a levou a conquistar, no início do ano, um cargo de gerente na agência de publicidade CuboCC. Antes disso, ela foi dona de uma assessoria de imprensa, na qual um de seus clientes foi a Campus Party, evento de inovação tecnológica, internet e entretenimento eletrônico. “Com ele, tomei gosto pelas mídias sociais”, diz.

“Elas permitem que as empresas se comuniquem diretamente com o usuário.” Priscila vendeu sua empresa e decidiu se aperfeiçoar na área. “Queria aprender mais com outras pessoas no trabalho.” No novo emprego – que conseguiu no espaço de um mês –, ela lidera seis pessoas, responsáveis pelo conteúdo de páginas em redes sociais de marcas da Unilever e Kraft, entre outras.

“Há muitas oportunidades de trabalho nesse mercado”, diz a gerente de mídias sociais. “Tem gente que é melhor para criar conteúdo, outros têm mais habilidade para se relacionar com os internautas e outros para monitorar o que entra nas páginas.”

A afinidade com o universo web 2.0 também fez com que a carioca Daniele Dutra conseguisse um emprego nessa área. Como gerente de comunidade no Brasil da Innogames, empresa alemã de jogos virtuais, ela comanda uma equipe de 33 pessoas no País e sete em Portugal. Tudo de sua casa, em Volta Redonda.

“Há mais de um ano, sou jogadora do Tribal Wars, um dos jogos da companhia, e, certo dia, vi um anúncio no site. No Brasil, esse jogo tem cerca de 220 mil usuários e nove milhões no mundo todo”, conta Daniela, de 25 anos. “A empresa exigia inglês e habilidade para liderar equipes. Ser jogador era recomendado.”

Daniele mandou currículo e foi chamada para uma entrevista em inglês, via Skype. Ganhou a vaga e hoje recebe o salário também via internet. “Como o horário é flexível, muitos da equipe têm um segundo emprego. A ferramenta principal é o Skype, então, se você tem computador e celular conectados pode trabalhar de qualquer lugar.”

Curioso

Formada em relações públicas e com MBA em marketing, Daniele gasta algumas horas por dia como gerente de comunidade, que lhe rende cerca de R$ 1 mil por mês. “Para trabalhar nessa área, o profissional deve ser curioso, saber um pouco de tudo, ter a mente aberta e, principalmente, estar antenado com as novidades”, diz.

“Saber as últimas notícias dos jornais, a última gafe do político X, a aparição da cantora americana no programa Y, os últimos lançamentos tecnológicos, o tombo mais visto no YouTube, enfim, tudo que chame a atenção e gere interesse a diferentes grupos.”

Ao que parece, mulheres vêm se dando bem nessa nova área. Andréia Passos, de 26 anos, trabalha como webmaster (gerencia contas de clientes na web) da Agência Ideal. “Fiz design multimídia por dois anos e meio no Senac e colégio técnico em design gráfico”, conta.

Andréia é capaz tanto de fazer o layout e a programação de um site quanto de explorar as ferramentas disponíveis para aumentar a visitação dos usuários. “Não adianta investir na apresentação de uma página se as pessoas não chegam até eles”, observa, “Daí terem surgido profissionais cuja função é a de melhorar o posicionamento de um site nos resultados naturais de busca”

Ela diz, no entanto, que muitas pessoas não têm formação na área, mas fizeram cursos rápidos de especialização. Tem de gostar, sobretudo, de pesquisar na internet, frequentar grupos de discussões e estar a par de todo tipo de novidade. “Quem gosta da área tem muito campo de trabalho. E muita gente está sendo atraída pelas novas mídias. No Twitter, por exemplo, quase 60 mil pessoas seguem páginas de vagas e trabalhos temporários na web 2.0. Esse mercado cresceu muito porque a visibilidade na internet tornou-se imprescindível para as empresas.”

Salários

Andréia diz que, nesse mercado, a faixa dos salários começa em R$ 700 (para estagiários) e pode ir até R$ 8 mil – ou até mais, dependendo da função e do grau de responsabilidade. “Alguns empregadores são agências de comunicação e empresas de grande porte (que, muitas vezes, possuem departamentos de TI), entre outros.

Há dois meses na empresa, Eduardo Seminari, de 35 anos, é coordenador de criação e inovação mobile (iPad, iPhone, celular, tablets) da GoNow, empresa de tecnologia e design. “É um mercado bastante dinâmico, já que está voltado a aparelhos móveis, cada vez mais usados que computadores”, diz Seminari. “Já vi salários de até R$ 10 mil nesse mercado. Para isso, o profissional vai alinhavando sua carreira com a do mercado.”

O coordenador da GoNow trabalha com equipes que criam sites, sistemas integrados (caso da intranet), bancos de dados digitais e aplicativos para empresas. “Fiz um curso de desenvolvimento multimídia na Universidade do Sul de Santa Catarina. “Comecei como diagramador há 16 anos, depois passei para a criação de sites”, lembra.

Com a expansão desse mercado, cursos vêm surgindo por todos os lados. A ECA-USP, por exemplo, está criando uma pós em mídias sociais.

Para quem prefere um curso profissionalizante, a escola Prepara Cursos verificou, por outro lado, um aumento de 37% na procura pela formação de webdesigner em 2010. “No próximo mês, vamos começar outro para quem quer trabalhar com mídias sociais”, adianta Rogério Gabriel, proprietário da escola.

Via portal Exame

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