Campus Party é ponto de encontro de investidores e start-ups

Quem nunca foi à Campus Party pode pensar que ela não passa de um evento dedicado aos viciados em tecnologia, games e outras “nerdices”. Mas é também um encontro de pessoas viciadas em empreendedorismo. Neste ano, um espaço foi dedicado àqueles que queriam mostrar e receber conselhos sobre start-ups e ideias de negócios, o “Campuseiros Empreendem e Inventam”. “A parte de empreendedorismo cresceu bastante em relação ao evento do ano passado”, afirma Millor Machado, co-fundador do Empreendemia, site de fomento ao empreendedorismo.

O evento, que acontece até o dia 22 em São Paulo, também recebeu empresas e fundos de investimento que estavam ali para ficar de olho nos campuseiros empreendedores. “Para conseguir qualquer tipo de investimento, o empreendedor tem que expandir sua rede de relacionamentos, e aqui é uma forma ótima para fazer isso”, diz Tiago Cruz, co-coordenador do Desafio Brasil da Fundação Getulio Vargas. “Mandar e-mail ou apenas ligar, o que chamamos de ‘cold call’, não tem a mesma eficiência.”

Entre tantas ideias e empreendedores batalhando por uma oportunidade, os investidores querem peneirar as empresas que tenham alto potencial de crescimento. “Buscamos um mix de empreendedorismo com inovação”, afirma Humberto Matsuda, da Performa Investimentos. A gestora possui um fundo específico para start-ups, que deve aportar um total de R$ 26 milhões em três anos – entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões por empresa. “Faz sentido participar de qualquer evento que tenha uma massa crítica de empreendedorismo ou de inovação, nem que seja apenas como plateia para ver quem realmente está se mexendo para tornar seu sonho realidade”, diz Matsuda.

O fundo da Performa tem foco em biotecnologia, nanotecnologia, aplicações médicas, tecnologias limpas e sustentáveis e tecnologia da informação, setor que se mostra o mais promissor na Campus Party. Mas isso não significa que a empresa encontrará algo interessante em todos os eventos. Em dois anos, a Performa conheceu em torno de 600 novas empresas, das quais apenas em cinco receberão investimento. Se conversar com 200 durante o evento, talvez consiga encontrar uma em que valha a pena investir, afirma Matsuda.

O fundo de venture capital InSeed também foi à Campus Party para buscar negócios para investir. “Estamos atrás de ideias com perspectiva de crescimento factível e diferencial competitivo”, afirma Márcio Filho, representante do fundo. O InSeed participa da gestão do fundo Criatec, que investe em empresas que ainda estão em fase inicial. Em paralelo, também está procurando negócios para outro fundo, focado em tecnologia para saúde.

Ainda que a prospecção aconteça em eventos como a Campus Party, existe um longo caminho para que uma start-up consiga um investidor. “Esse é apenas o passo inicial. É um momento para as empresas se mostrarem e fazerem novos contatos”, afirma Machado, da Empreendemia.

Onde encontrar os investidores
Segundo os investidores presentes na Campus Party, eventos de venture capital, de incubadoras, sobre inovação e até mesmo encontros coorporativos são ocasiões em que eles costumam encontrar novas ideias para investir. Mas não basta as empresas estarem presentes – elas devem estar preparadas. “É importante saber com precisão o perfil do investidor, o que ele realmente está procurando”, afirma Matsuda, da Performa Investimentos. “O segredo é você adaptar o seu pitch [a ideia de seu negócio em forma sintética] para cada investidor. Nós conversamos com todas as empresas, mas nem todo investidor é assim. Em bom português, você tem que fazer com que ele fique excitado e animado com sua ideia.”

Além disso, é preciso ter um time de colaboradores bastante coeso. Segundo Matsuda, um grupo de talentos diversificado e integrado são importantes para que a empresa cresça – que é o objetivo do fundo.

O Catarse, site de crowdfunding que busca a colaboração de internautas para realizar eventos culturais, aposta nos diferenciais da equipe para conseguir um investidor. “Eu só tinha conhecimento do mercado cultural, mas pouca noção sobre as aspectos administrativos”, afirma Daniel Weinmann, 28 anos, um dos fundadores da empresa. Para solucionar isso, se juntou a Diego Reeberg, 22 anos, e Luís Ribeiro, 20 anos, que também tinham interesse em criar um negócio nesse modelo e possuíam conhecimento do mundo coorporativo. “Nosso maior objetivo é difundir o conceito de crowd funding”, explica Weinmann. “Estamos aqui mostrando um pouco mais do nosso trabalho e procurando pessoas que tenham uma visão parecida para investir em nossa ideia.”

Já o empreendedor Gustavo Scanferla, 21 anos, de Niterói (RJ), está prestes a fechar acordo com um investidor que acreditou no seu potencial. Scanferla fundou o site Pligus, que funciona como uma sala de reuniões virtual e colaborativa, em que pessoas podem fazer videoconferências, compartilhar arquivos e editá-los conjuntamente. “Esse investidor simplesmente conheceu meu site e entrou em contato para saber como poderia participar”, afirma.

O negócio também recebeu a colaboração de pessoas entusiasmadas com o serviço. “Ainda não cobramos pelos serviços, mas já há usuários que resolveram pagar porque gostaram da ideia”, conta Scanferla. O site também já está sendo utilizado em outras partes do mundo, em versões em inglês e espanhol, criadas por uma das usuárias. Scanferla foi à Campus Party para fazer contatos e tentar angariar capital para ampliar sua estrutura e equipe – atualmente, o Pligus é uma empresa de um homem só.

Fonte: PEGN

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One Response to Campus Party é ponto de encontro de investidores e start-ups

  1. Nei Grando disse:

    Gostei do artigo, do evento, do apoio ao Empreendedorismo, da orientação às Startups e aos que pretendem montar um negócio próprio.

    Postei um artigo com o título: O Empreeendedor, o Administrador e o Técnico que fala do equilíbrio necessários entres estes papéis desempenhados pelos donos de novos negócios (pequenas empresas) o qual compatilho aqui: http://wp.me/pMSqs-1V no final do artigo tem links para dois vídeos do evento, Mapas Mentais, e dicas de livros.

    Att.

    Nei Grando (@neigrando)

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